terça-feira, março 26, 2013

A BRUXA QUE PREPARABA O MELLOR CHOCOLATE DO MUNDO


Muitos anos atrás, quando todas as viagens se faziam por terra ou por água, um camponês novo chamado Daisuke teve que deixar o seu país e a sua família, porque ele se tinha recusado a servir como soldado para o imperador. Ele morava numa cidade pequena desde onde se pode ver o Monte Fuji, a montanha sagrada do Japão.

Antes da partida, com lágrimas nos olhos, a sua avó, uma cega idosa com mais de 90 anos, disse-lhe:

─ Querido neto, lembra-te sempre donde vens. Tu és o nosso semente. Nunca te esqueças das flores de cerejeira que podem ser vistas desde as nossas janelas na primavera. Por esta razão, só posso dar-te algo miúdo para a tua viagem. Se hás de fazer um bom uso deste dom, filhote, caso contrário não vais ser ninguém, porque terás esquecido a nossa terra.

A avó deu ao seu sobrinho um pequeno pacote que o Daisuke não abriu até ficar sozinho. O pacote continha quase nada, apenas uma simples caixa, feita de papel, em que foram colocadas três cerejas, todas vermelhas, lindas, deliciosas. O rapaz sabia que sua avó era uma mulher sábia, e que esses três cerejas tinha algum significado. Ele embolsou o pacote e começou a caminhar em direção ao sul de Quioto. Como ele era um desertor, pois as suas crenças impediam-lhe odiar e atacar outro ser humano, a viagem foi muito cautelosa para não ser descoberto pelos soldados. Foi um caminho complicado, obrigando-o a se esconder durante o dia em poças de lama, e caminhar no escuro da noite. O pouco de comida que tinha trazido de casa esgotou logo, forçando-o a se alimentar de frutas que encontrava no campo ao longo do caminho, ou a recolher lixo que outras pessoas atiraram pelos caminhos.

Todas noites pensava o rapaz nas cerejeiras ao pé do Monte Fuji e lembrava a voz da sua avó a contar histórias, com aquela voz doce que o tinha acompanhado durante toda a sua infância, a mesma voz que lhe tinha falado no dia de partida.

─ Tu és o meu único neto vivo ─disse a velha numa noite estrelada─. O imperador levou-me todos os outros. Eu não quero perder-te também. Corre, corre, corre embora, eu prefiro que estejas muito longe, mas vivo, do que morto e enterrado aqui em casa.

E foi assim que Daisuke decidiu partir.

Quando ele chegou a Quioto, disfarçou-se de mulher, era a única maneira de não ser detido pela rua. O exército não recruta mulheres, pois considera-as seres inferiores úteis apenas para cuidar dos assuntos domésticos. Com essa estratégia, Daisuke foi capaz de embarcar num navio que navegava para o leste, para um novo país que estava a surgir. O último dinheiro que tinha trazido de casa usou-o para pagar o bilhete. Na longa viagem que durou mais de um mês, sempre viu o pôr do sol refletido no mar. E ele sempre se lembrava das cerejeiras ao pé do Monte Fuji, mas com o passar dos dias afastava-se ainda mais delas. Porém, cumpriu a promessa feita à sua avó de manter essa imagem no seu coração e não se esquecia donde é que ele vinha. Finalmente chegou a outro continente, a outro país. A cidade onde ele caiu chamava-se San Francisco e era muito grande. Felizmente, não era lá o único japonês, nem mesmo o único asiático que lá havia. Na verdade, ele viu pessoas de todas as raças, mas uma em particular era totalmente desconhecida para ele, tratava-se de homens e mulheres com a pele castanha e o cabelo tudo cheio de caracois.

Desde então, e sabendo que era livre da tirania do Imperador, Daisuke voltou a se vestir como um homem, mas não sabia para onde ir ou o que fazer. Ele não conhecia o idioma do novo país, mas não passou muito tempo antes que ele começasse a aprendê-lo. Visto que aquele era um país de oportunidades, logo encontrou um emprego na construção do caminho-de-ferro. Esse trabalho permitiu-lhe ir para o leste, atravessando o imenso país. Trabalhou sem descanso durante muitos meses como um escravo, ganhando pouco, mas no final, estava feliz de ver todos os dias o pôr do sol no horizonte, e lembrava-se das cerejeiras no pé do Monte Fuji. 

Até aquele dia.

Naquele dia, por acaso, viu o Monte Fuji no meio de uma planície, na Arizona, no meio do deserto. A montanha surgia orgulhosa, muito longe. O Daisuke então decidiu abandonar o trabalho escravo e ir para o norte em direção à visão do Monte Fuji. Assim foi que, à noite, enquanto todos dormiam no campo, o Daisuke foi embora caminhando na ponta dos pés, enquanto os coiotes passavam uivando muito próximo a ele. Tal era o desejo de alcançar a montanha que o seu próprio medo se apegou a ele como uma sombra.

Calculou que a montanha, tão parecida com o Monte Fuji, ainda tinha que ficar a três ou quatro dias de distância. Não tinha água, portanto como poderia chegar até aquela montanha sem água? E se por acaso chegava lá, o que faria depois? Dizem que aqueles que entram no deserto sem água e sem comida, como ele, acabam morrendo. Mas o Daisuke não parecia se importar, só queria aproximar-se daquela montanha e assim ela própria deu-lhe a força para seguir para em frente.

E no segundo dia, sob o sol abrasador e sem água, o Daisuke desmaiou-se. A mente do Daisuke voou para além do horizonte, do mar e chegou às planícies ao pé do Monte Fuji, onde as cerejeiras já tinham florescido para cobrir todo o ar de pétalas. Pensou que estava para ir para o outro mundo, para se reencontrar com os seus irmãos, que morreram servindo ao imperador. Em vez disso, quando abriu os olhos, viu o rosto de uma mulher bonita, com a pele de cor de cobre e negros cabelos longos. Era uma jovem índia, que lhe tinha salvado a vida. Ela tinha-o encontrado quase morto, tinha-o trazido para o acampamento dela com a ajuda de alguns guerreiros e tinha-o curado.

Infelizmente, não conseguiam entender-se, porque ela nem sequer falava inglês. Uma vez recuperado, o rapaz quis ir embora para continuar a sua viagem em direção à montanha. No momento de se despedir dela, o Daisuke levou a mão ao bolso e pegou no pacote que sempre o acompanhava. Abriu-o e tirou uma das cerejas. Tinham-se mantido frescas como no primeiro dia, como quando a sua avó lhas tinha dado. Era a sua maneira de agradecer-lhe que lhe tivesse salvado a vida. Ela, a jovem índia nunca tinha visto uma cereja, mas gostou da sua cor vermelha escura e comeu-a com prazer, fechando os olhos. O Daisuke pensou que era a melhor maneira de usar uma daquelas cerejas que a sua avó lhe tinha dado para a viagem.

A jovem índia disse-lhe:

─ Mara. 

Esse era o seu nome. E uma lágrima desceu pelo seu rosto bonito enquanto ela contemplava a partida do Daisuke.

Dois dias depois, o jovem japonês chegava ao pé da montanha. A forma era, sim, como a do Monte Fuji, mas todo ele estava deserto. Havia apenas pedras e serpentes. Porém, algo dentro dele disse ao Daisuke que aquele era o lugar onde o destino o tinha guiado. Mas o que é que ele ia fazer, lá sozinho?

Começou a construir uma pequena cabana, mas não tinha ferramentas, apenas uma faca grande. Depois de uma semana, tinha preparado um espaço para viver lá. Felizmente encontrou pertinho uma arroio que nascia na montanha. Havia pelo menos um bocadinho de água e mais nada.

Todos as tardes contemplava o pôr do sol. Ele sabia que o sol, depois que abandonava aquele local, corria para o Japão. Quando para ele chegava a noite, na sua aldeia amanhecia. O sol era o seu único contato com a sua a terra natal. Sentia-se triste, apenas na companhia dos coiotes, que eram os únicos seres vivos que moravam perto dele.

De repente, uma manhã, justo depois de se levantar, viu uma figura a caminhar entre ele e o sol. Parecia o “espírito da manhã”, ou talvez fosse algum antepassado. A figura ficou irreconhecível durante alguns minutos, até que o sol esteve muito por cima do horizonte. Então o Daisuke reconheceu a Mara. Ela tinha abandonado os seus e tinha seguido o chamado do seu coração.

O Daisuke sentia-se muito feliz. Ele abraçou-a. Logo, ele ofereceu-lhe outra cereja. Ela pegou nela e comeu-a com muito prazer, fechando os olhos e sentindo o seu gosto perfumado invadir todos os seus sentidos. A Mara esperou por ele para comer a última. Ele também o teria feito com prazer, mas em vez de comê-la, o Daisuke pegou na mão da Mara e juntos afastaram-se uma centena de metros da cabana. Não muito longe do arroio, enterraram a cereja.

Na primavera seguinte, um pequeno broto de cereja deixou-se ver. O Daisuke e a Mara olharam para ele como se fosse mesmo um filho deles. O Daisuke pensou que dentro de algumas primaveras aquele vale seria como o planície que se estende aos pés do Monte Fuji, com as cerejeiras a florescer. Finalmente tinha sido capaz de usar adequadamente as três cerejas que sua avó lhe tinha dado. Na verdade, toda a sua história, a sua vida, tinha vindo com ele, e assim a sua estirpe continuaria a viver a milhares de quilômetros de distância donde tinha nascido.

Mas não me perguntem onde é que fica este vale, ou o que aconteceu com o Daisuke. Ainda hoje um pouco de vida do Japão mora no deserto do Arizona e, a cada primavera, o céu fica cheio de nuvens de pétalas de flores de cerejeira.


*      *      *


Molti anni fa, quando tutti i viaggi si facevano via terra o sull’acqua, un contadino chiamato Daisuke dovette abbandonare il suo paese e la sua famiglia perché si era rifiutato di servire come soldato all’imperatore. Viveva in un paesetto da cui si vedeva il monte Fuji, il monte sacro dei giapponesi.


Prima della partenza, con le lacrime agli occhi, sua nonna, un’anziana cieca di più di novant’anni gli disse:

“Caro nipote, ricordati sempre da dove vieni. Tu sei il nostro seme. Non dimenticare mai i ciliegi in fiore che si vedono dalle nostre finestre in primavera. Per questo motivo, solo ti posso dare una cosa per il tuo viaggio. Se saprai usare bene questo regalo, trionferai, altrimenti, non sarai nessuno, perché avrai dimenticato la nostra terra”.

La nonna diede al nipote un piccolo pacchetto che Daisuke non aprì finché fu solo. Il pacchetto non aveva altro che una semplice scatolina, fatta di carta, all’interno della quale erano collocate tre ciliegie, tutte rosse, belle, deliziose. Il contadino sapeva che sua nonna era una donna saggia e che quelle tre ciliegie avevano qualche significato. Mise in tasca il pacchetto e cominciò a camminare verso sud, verso Kyoto. Essendo egli un disertore, poiché la sua fede gli impediva di odiare e di aggredire un altro essere umano, nel cammino faceva molta attenzione per non essere scoperto dai soldati. Fu un percorso complicato, obbligandolo a nascondersi di giorno, fra i maiali, nel fango, e camminando al buio della notte. Il poco cibo che aveva portato da casa finì subito, costringendolo quindi a nutrirsi con i frutti che trovava nei campi lungo il cammino, oppure raccogliendo i rifiuti che altre persone buttavano.

Tutte le notti pensava ai ciliegi ai piedi del monte Fuji e ricordava la voce della nonna raccontandogli storie, era quella la dolce voce che l’aveva accompagnato per tutta la sua infanzia, la stessa voce che alla fine l’aveva salutato al momento della partenza. 

“Sei il mio unico nipote vivo”, gli disse l’anziana in una notte stellata, “L’imperatore mi ha portato via tutti gli altri. Non voglio perdere anche te. Vattene, fuggi, preferisco che tu sia lontano, ma vivo, che morto e seppellito qui, a casa”.

E fu così che Daisuke decise di andarsene.

Quando arrivò a Kyoto si travestì come una donna, era l’unica forma per non essere fermato. L’esercito infatti non cercava le donne, considerandole esseri inferiori utili solamente per occuparsi delle faccende di casa. Grazie a questa strategia, Daisuke riuscì a imbarcarsi in una nave che salpava verso est, verso un paese che stava nascendo. Gli ultimi soldi che aveva preso da casa li usò per pagarsi il biglietto. Nel lungo viaggio che durò più di un mese vide sempre il tramonto del sole, specchiandosi nel mare. E ricordò sempre i ciliegi ai piedi del monte Fuji, ma ogni giorno che passava se ne allontanava ancora di più. Manteneva però la promessa fatta a sua nonna di tenere sempre quell’immagine nel cuore e di non dimenticare da dove veniva. Finalmente arrivò in un altro continente, e in un altro paese. La città dove sbarcò si chiamava San Francisco, ed era grandissima. Per fortuna non era l’unico giapponese, nemmeno l’unico asiatico che era lì. Infatti vide persone di tutte le razze, però una in particolare era assolutamente sconosciuta per lui, si trattava di uomini e donne con la pelle marrone e i capelli tutti lisci.

Da quel momento, e sapendosi libero dalla tirannia dell’imperatore, Daisuke tornò a vestirsi come un uomo, ma non sapeva dove andare, né che cosa fare. Non sapeva la lingua del nuovo paese, ma non passò troppo tempo che incominciò ad impararla. Ed essendo quello un paese di nuove opportunità, trovò subito un lavoro nella costruzione della ferrovia. Quel lavoro gli permise di spostarsi verso est, attraversando quell’immenso paese. Lavorò per tanti mesi come uno schiavo, guadagnando poco, ma nel fondo si sentiva felice di vedere, ogni giorno, il tramonto, l’orizzonte, e ricordare i ciliegi ai piedi del monte Fuji. Fino a “quel” giorno.

Quel giorno, per caso, rivide il monte Fuji in mezzo a una pianura, nell’Arizona, in mezzo al deserto. Il monte si alzava orgoglioso, molto lontano. Daisuke decise allora di abbandonare quel lavoro da schiavo decidendo di andare verso nord, verso quella visione del monte Fuji. Fu così, che, di notte, mentre tutti dormivano nell’accampamento, Daisuke se ne andò camminando in punta di piedi, mentre i coyote ululavano molto vicino a lui. Tanto era il desiderio di raggiungere il monte che la sua propria paura, lasciò che lo accompagnasse come un’ombra.

Calcolò che la montagna, simile al monte Fuji, doveva essere ancora a tre o quattro giorni di distanza. Non aveva acqua con sé, come avrebbe potuto raggiungere quel monte senza acqua? E se per caso ci arrivava, cosa avrebbe fatto dopo? Dicono che coloro che entrano nel deserto senza acqua e viveri, come lui, muoiono. Ma a Daisuke sembrava non importare nulla, soltanto vedere quel monte così simile a quello suo gli dava la forza per andare avanti.

E il secondo giorno, per il sole cocente e senza acqua, Daisuke svenne. La mente di Daisuke volò sull’orizzonte, sul mare, e arrivò alle pianure ai piedi del monte Fuji, dove i ciliegi fiorivano fino a coprire tutta l’aria di petali. Pensò che stava per passare all’altro mondo, rincontrandosi con i suoi fratelli, che erano morti servendo l’imperatore. Invece, aprì gli occhi e vide un bellissimo volto di donna, con la pelle colore di rame e con lunghissimi capelli neri. Si trattava di una giovane indiana, che gli aveva salvato la vita. L’aveva trovato quasi morto, l’aveva portato all’accampamento con l’aiuto di alcuni guerrieri e l’aveva guarito.

Purtroppo non potevano capirsi, perché lei non parlava nemmeno inglese. Una volta ripresosi, volle andarsene per continuare il suo cammino verso la montagna. Al momento di accomiatarsi da lei, Daisuke cercò nella sua tasca quel pacchetto che sempre l’aveva accompagnato. L’aprì e prese una delle ciliegie. Si erano conservate freschissime, come il primo giorno, come quando sua nonna gliele aveva consegnate. Era il suo modo di ringraziarla per avergli salvato la vita. Lei, la giovane indiana, non aveva mai visto una ciliegia, ma il suo colore rosso intenso le piacque e la mangiò con piacere, chiudendo gli occhi. Daisuke pensò che era il miglior modo di usare una di quelle ciliege che sua nonna gli aveva dato per il viaggio.

La giovane indiana disse allora: 

“Mara”. 

Quello era il suo nome. E una lacrima scese nel suo bellissimo volto mentre vedeva Daisuke partire.

Due giorni più tardi, il giovane giapponese arrivò ai piedi della montagna. La forma era, sì, come quella del monte Fuji, ma tutto intorno era deserto. Solo c’erano pietre e serpenti. Però, qualcosa dentro di sé disse a Daisuke che quello era il posto dove il destino l’aveva guidato. Ma cosa avrebbe fatto, lui, lì da solo?

Cominciò così a costruire una piccola capanna. Non aveva strumenti, soltanto un grande coltello. In una settimana preparò uno spazio per abitarci. Per fortuna aveva trovato un ruscello che nasceva da quel monte. Quindi un po’ di acqua ce n’era, ma nient’altro.

Tutte le notti guardava il tramonto. Sapeva che il sole, quando se ne andava da quel posto, arrivava subito in Giappone. Quando per lui arrivava la notte, nel suo paesetto natale arrivava il giorno. Solo il sole era il suo contatto con la terra d’origine. Si sentì triste, in compagnia solamente dei coyote, che erano gli unici esseri viventi accanto a lui.

All’improvviso, una mattina, quando si alzò, vide una sagoma fra lui ed il sole. Sembrava lo “spirito del mattino”, o forse si trattava di qualche antenato. La sagoma rimase immobile alcuni minuti, finché il sole si alzò dall’orizzonte. Quindi Daisuke riconobbe Mara. Aveva abbandonato i suoi e aveva dato ascolto al suo cuore.

Daisuke si sentì molto contento. L’abbracciò. Poi le offrì un’altra ciliegia. Lei la prese e la mangiò con grande piacere, chiudendo gli occhi e sentendo il suo sapore profumato invadere tutti i suoi sensi. Mara aspettava che lui mangiasse l’ultima rimasta. Lui l’avrebbe fatto molto volentieri, ma invece di mangiarla, Daisuke prese la mano di Mara e insieme si allontanarono un centinaio di passi dalla capanna. Non lontano dal ruscello seppellì la ciliegia.

La primavera successiva, un piccolo germoglio di ciliegio si lasciò vedere. Daisuke e Mara lo guardarono insieme come un figlio. E Daisuke pensò che fra alcune primavere, quella sarebbe stata come la valle del monte Fuji, con i ciliegi fioriti. Finalmente aveva saputo usare correttamente le tre ciliege che sua nonna gli aveva regalato. Infatti, tutta la sua storia, la sua vita, era venuta con lui, e la stirpe avrebbe cosi continuato a migliaia di chilometri di distanza.

Ma non chiedermi dov’è questa valle, né che cosa è capitato a Daisuke. Ancora oggi un pezzettino del Giappone vive nel deserto dell’Arizona e tutte le primavere il cielo si copre di nuvole di petali di fiori di ciliegio.

Frantz  Ferentz, 2012







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